Pedro Veriano, pveriano@gmail.com
A despedida de Harry Potter foi uma festa visual. Efeitos especiais moldaram a batalha entre o Bem (Potter, o aluno da escola de bruxos, Hogwart), e o Mal (Lord Voldemort, bruxo proeminente). Não faltaram bolas de fogo destruindo as dependências da escola, monstros mitológicos, fendas se abrindo no solo, até mesmo uma sequência em que o herói aparece numa espécie de limbo, conversando com o seu mestre, Dumbledore, já falecido.
"Harry Potter e as Relíquias da Morte –Parte 2" ganhou o primeiro lugar nas bilheterias mundiais semana passada. Um recorde histórico. E não decepcionou os leitores da escritora inglesa J.K.Rowlings, criadora do personagem. Quem leu o livro aprovou o filme (o que é difícil). Eu como não li nenhuma linha da coleção que gerou sete volumes e oito filmes de longa-metragem, fiquei com o resultado exposto nas telas, onde poreja a ingenuidade dos contos de fadas maquilada de pesadelo. Especialmente nos episódios finais em que o aspecto "dark" predomina, como se as figuras desfilassem por abismos tenebrosos.
Claro que não é fácil traduzir no cinema a imaginação de certos autores. Mesmo os que primam pela superficialidade de suas narrativas. Esta ousadia é um mérito do último filme da série, o mais bem feito. E a sua posição de sequência, sem explicar o que veio antes para quem não acompanha a história de exemplares passados, é um ato de confiança na síntese da proposta, ou seja, o filme não se afasta de seu objetivo que é uma fantasia embalada na cultura anglo-saxã, como o que os Irmãos Grimm, Charles Perrault ou Hans Christian Andersen escreveram para crianças.
O outro filme que os cinemas locais estão exibindo é o brasileiro "Assalto ao Banco Central". O argumento é o roubo acontecido em 2005 no maior banco de Fortaleza (CE). Acontecimento que no filme merece apenas um plano irônico.
NA LOCADORAA grandeza do perdão
"O Filho" (Le Fils/França,2002) ganhou o Prêmio Ecumênico do Festival de Cannes. Os jurados cristãos exaltaram a capacidade de perdoar que preside a história do carpinteiro que emprega os serviços de um adolescente, saído da cadeia, que matou seu próprio filho. Dirigido pelos irmãos Jean Pierre e Luc Dardenne, o filme é todo feito com a câmera na mão seguindo o personagem principal, o chefe de carpintaria Olivier (Olivier Gourmet), homem bom que emprega meninos delinquentes. Gradativamente o espectador vai sabendo do trauma que ele sofreu, vendo a princípio as reações de sua esposa, nos poucos momentos em que ela aparece. Depois sabe que seu filho pequeno (não se diz a idade) foi morto por Francis (Morgan Marinne), um dos empregados da carpintaria. Apesar de saber disso, Olivier ensina ao rapaz um ofício. Um drama denso e comovente. Com desempenhos primorosos que deixam imagens de comovente realidade. Uma obra-prima que está nas locadoras desde o início do ano e que não chegou a ser exibida nos cinemas locais. Desses títulos que se recomenda com insistência. |
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