terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Estudo Mariano 3

Maria em Caná

No tempo de Jesus, a festa de casamento era muito importante. As famílias se uniam, os judeus renovavam sua confiança na vida e alimentavam a esperança na vinda de novos filhos. Os profetas usavam a imagem da união amorosa do homem e da mulher, que se celebra no casamento, para falar do amor de Deus e de sua intimidade com o povo eleito (cf. Is 62,4b-5; Os 2, 18-22).
Era normal oferecer um banquete na festa de casamento (cf. Gn 29, 22; Jz 14,10). A festa durava sete dias (cf. Gn 29, 27; Jz 14,12; Tb 11, 20). O vinho era um produto barato, muito comum, produzido pelas famílias. Numa festa, especialmente de casamento, não podia faltar o vinho. Senão, acabaria tristemente.

Para os polêmicos, o diálogo entre Jesus e Maria é o carro chefe para enfatizar que Jesus desrespeita sua mãe. Entretanto João nos diz que, para Jesus Maria é mais do que mãe. É mulher. Segundo alguns intérpretes, este título "mulher" apresenta Maria como a nova Eva, Mãe de todos os crentes na fé.
O evangelista é muito sensível à participação feminina na comunidade dos amigos de Jesus. Por isso, Jesus não as trata pelo nome, mas com o titulo de Mulher.
Jesus chamou de mulher para:
1) Sua mãe (cf. Jo 2,4 e 19,26)
2) A samaritana (cf. Jo 4,21)
3) Maria Madalena, a primeira a testemunha da ressurreição (cf. Jo 20, 15).
É bom lembrar ainda que os profetas usavam a imagem da mulher para simbolizar povo de Deus em relação ao Senhor da aliança (cf. Os 1,2; Is 26, 17; Jr 31,4). Portanto quando Jesus chama sua mãe de “mulher” não a ofende. Pelo contrario, mostra o valor dela, como mulher e figura do povo de Deus.

Quando Jesus diz que a hora dele ainda não chegou, não está olhando para o relógio. A “hora”, no evangelho de João tem um sentido simbólico. Quer dizer o momento em que Jesus vai mostrar quem é ele e comunicar o amor do Pai. Isso só vai acontecer de forma completa na morte e ressurreição (cf. Jo 12, 23.27; 13,1; 16,32; 17,1).
Quando ele diz: “Minha hora ainda não chegou” significa que Jesus acha que não é ainda o momento oportuno de começar sua missão. Maria não discute com Jesus. Rapidinho, entende o que ele quer. Volta-se para os serventes: “façam tudo o que ele vos disser” (Jo 2,5). Essas palavras têm grande força simbólica. Você se recorda da frase de Maria ao final da Anunciação, em Lucas: “Eis aqui a servidora do Senhor. Faça-se em mim conforme sua palavra” (Lc 1,36). Segundo João, Maria não só realiza a vontade de Deus na sua vida, mas também orienta os outros a fazerem o que Deus lhes pede. A perfeita discípula e seguidora de Jesus se torna mestre e guia dos cristãos. Sua frase continua atual. Ela continua dizendo-nos hoje: “vale a pena buscar a vontade de Jesus, ouvir suas palavras e tomar atitudes concretas”.
Porque João coloca como primeiro sinal de Jesus a transformação da água em vinho, numa festa de casamento? Porque não uma cura ou expulsão de demônios? O primeiro sinal de Jesus pretende começar a revelar quem ele é para nós. A partir do sinal, entendemos que Jesus mesmo é o vinho novo da nossa vida. Ele é capaz de transformar as situações em que tudo parece “água”, sem sabor nem cor, no liquido da festa e da alegria. Já no Antigo Testamento, o vinho simboliza a felicidade e a abundancia que acontecerá para todos, quando o Messias chegar (cf. Os 2,23ss e 14,8; Am 9,13ss; Is 25,6 e 62,5; Jr 31,12; Zc 9,17 ). No livro do Cântico dos Cânticos, o vinho lembra o desejo mútuo entre o homem e a mulher, o amor que os fascina e os une, uma imagem do grande amor de Deus pelo seu povo (cf. Ct 1,2-4; 2,4;4,10).
Com o sinal do vinho Jesus está dizendo que ele é o vinho novo, que o dia do Messias está chegando. Começou o tempo da graça. Acabou o tempo da miséria. As seis vasilhas de pedras, enchidas até à borda, têm muito vinho (cf. Jo 2, 6s). Deus nos oferece seus bens em abundancia. Quem está com Jesus tem vida sobrando.
A glória para Jesus não é o poder e a fama, mas a capacidade de realizar o bem e fazer Deus conhecido e amado. Os sinais de Jesus se tornam uma ocasião para os discípulos exercitarem sua fé. Quem crê, vê além do sinal. O sinal não força ninguém a acreditar, só abre a porta do coração para a fé. (cf. Jo 2,11.23; 3,3; 4,54). Jesus não gosta das pessoas que só acreditam quando vêem o sinal (Jo 2,23s) ou das pessoas que buscam milagres só para resolver seus problemas pessoais (cf. Jo 6,26). Em Caná Maria inicia o caminho da fé da Igreja, precedendo os discípulos e orientando para Cristo a atenção dos servos.
Salve Maria !

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